O Erasmo só pensa naquilo. Não só em Rock'n'Roll, no que o "Tremendão" já se confessou viciado, mas também em sexo. Num disco praticamente conceitual - algo frequente nas bandas de Rock Progressivo e em artistas como os Beach Boys ("Pet Sounds") e Who ("Quadrophenia"), maas raro hoje em dia, ele deita e rola (opa!) em diversas abordagens das vias de fato, algumass líricas e sensíveis, outras divertidas ou simplesmente técnicas, como "Kamasutra" (Erasmo Carlos e Arnaldo Antunes), um Rock acelerado que abre o disco listando posições sexuais.
De cara, fica evidente a produção caprichada de Liminha, que ainda gravou baixos, guitarras violões e congêneres na maioria das faixas.
A afinação e o alcance vocais, velhas limitações de Erasmo, são contornados com arranjos aos quais os Filhos da Judith Luiz e Pedro emprestam suas vozes afiadas, com bom resultado - e que não parecem lançar mão de muitos recursos digitais.
O sexo que Erasmo, aos 70 anos de idade, expõe no CD em adjetivos, metáforas e neologismos foi formado a partir das próprias experiências do cantor e compositor, pelo consumo assíduo de pornografia - desde as revistas de anatomia até o canal pago Sex Hot, do qual é assinante - e por suas outras incursões poéticas no tema - desde sempre caro ao artista, com exemplos como"Cavalgada e "Minha Superstar".
Correndo os 90 minutos aos 70 anos, bem que Erasmo tenta manter a sua fama de mau, mas a doçura natural não lhe permite.
[ Fonte: Jornal "Tribuna Independente", 16/08/2011 ]
[ Editado por Pedro Jorge ]
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